30.7.06

Este site morreu definitivamente.
Dirijam-se para .
Valeu!

5.10.05

Continuamos aqui em estado de "paradez" total. Mas continua sendo por bons motivos. Como os que vocês podem ler abaixo:

Alto-Falante passa a ser diário na Geraes FM

Quase três meses depois de o ALTO-FALANTE ter estreado sua versão radiofônica na Rádio Geraes FM, o programa se prepara para alçar vôos ainda maiores. A partir do dia 11 de outubro, ele passa a ter uma versão diária, com 10 minutos de duração, às 17 horas. Além, é claro, da já tradicional edição especial de uma hora – todas as sextas às 22 horas com reprise aos sábados às 21.

O projeto da versão radiofônica do ALTO-FALANTE começou em junho deste ano na webrádio Pelo Mundo (www.pelomundo.com.br), onde continua até hoje em dois horários na sexta-feira (9h30 e 21h30). Um mês depois, alcançou as ondas da FM tradicional através da Geraes e, nestes quase três meses, conquistou um rápido reconhecimento por parte do público que já ouvia a rádio e por parte de um novo público, que foi levado até lá pela ânsia de ouvir uma iniciativa que contemplasse principalmente a boa música.

Apresentado por Terence Machado, Thiago Pereira e Rodrigo James, o ALTO-FALANTE repete alguns quadros já consagrados no programa de tv, como o Ao Vivo e o Garimpo – destinado à divulgação do melhor som independente feito no Brasil – e introduz alguns novos: Rock Raro, Dossiê, Artistas Injustiçados, Perdidos no Espaço, Sessão Cover, e a famigerada dobradinha Você Pode Até Gostar Mas a Gente Não/Você Pode Até Não Gostar Mas a Gente Gosta.

O PROGRAMA ALTO-FALANTE
E lá se vão mais de 8 anos desde que o ALTO-FALANTE estreou na Rede Minas para levar um pouco mais de informação musical a um público ávido por iniciativas nesse segmento. Neste período, foram incontáveis os clipes, matérias especiais, coberturas de eventos, críticas de discos, perfis, notícias, furos de reportagem, promoções e tudo mais que envolve a paixão pela boa música. O ALTO-FALANTE é hoje o mais importante programa de música pop do país - o que pôde ser comprovado recentemente, quando foi o vencedor do Prêmio Claro de Música Independente na categoria Melhor Programa de TV.

Ainda em 2005, o ALTO-FALANTE coloca no ar seu novo website, totalmente reformulado e com conteúdo em áudio e vídeo exclusivo para os internautas.


PROGRAMA ALTO-FALANTE, com Terence Machado, Thiago Pereira e Rodrigo James
De segunda a sexta, às 17 horas (a partir do dia 11 de outubro)
Edição especial às sextas-feiras, 22 horas, com reprise aos sábados às 21 horas.
Na Geraes FM, de Belo Horizonte (91,7 e www.geraesfm.com.br)
Informações: www.programaaltofalante.com.br

23.8.05

Sim, eu sei que este blog anda meio parado. Ou parado por inteiro. Mas é por um bom motivo. Ou vários. Como todos já devem saber, agora sou parte integrante da equipe Alto-Falante. Não faço parte da equipe de Tv, mas sim do programa de rádio. E em breve internet também.

E é sobre internet que quero falar com vocês. Em breve, o Alto-Falante estará com um novo site no ar, todo reformulado e este blog será parte integrante do projeto. Na verdade, será um portal com informações dos programas, links para os parceiros e seções atualizadas diariamente por nós e por colaboradores.

Então por enquanto aguardem mais um pouquinho. Deixo vocês com uma dica apenas: Madeleine Peyroux. Não conhece? Pô, tá esperando o que? A mulher tem voz e canta parecido com Billie Holliday! O disco é "Careless Love" e não consigo parar de ouvir.

E ela é branquela e linda!

Até.

7.7.05

ALTO-FALANTE LEVA SUA VERSÃO RADIOFÔNICA PARA A RÁDIO GERAES FM


Menos de dois meses depois de o ALTO-FALANTE ter estreado sua versão radiofônica nas ondas da internet através da webrádio Pelo Mundo, o programa ganha nova força e novo parceiro. A partir do dia 15 de julho, a Geraes FM, de Belo Horizonte, também retransmitirá o programa, todas as sextas-feiras, às 10 da noite. Na pauta, o de sempre: boa música, informação, opinião, entrevistas, quadros especiais e tudo que o ouvinte qualificado da rádio procura e encontra quando sintoniza a freqüência 91,7.

O PROGRAMA ALTO-FALANTE
E lá se vão mais de 8 anos desde que o ALTO-FALANTE estreou na Rede Minas para levar um pouco mais de informação musical a um público ávido por iniciativas nesse segmento. Neste período, foram incontáveis os clipes, matérias especiais, coberturas de eventos, críticas de discos, perfis, notícias, furos de reportagem, promoções e tudo mais que envolve a paixão pela boa música. O ALTO-FALANTE é hoje o mais importante programa de música pop do país, o que pôde ser comprovado recentemente, quando foi o vencedor do Prêmio Claro de Música Independente na categoria Melhor Programa de TV. No início de junho deste ano, o programa ganhou sua versão radiofônica na internet, através da webrádio Pelo Mundo (www.pelomundo.com.br), que agora também chega à FM. Ainda no mês de julho, o ALTO-FALANTE se prepara para comemorar ainda mais o prêmio conquistado, com novas vinhetas e programação visual de sua versão televisiva.


PROGRAMA ALTO-FALANTE, com Terence Machado, Thiago Pereira e Rodrigo James
Sextas-feiras, 22 horas.
Na Geraes FM, de Belo Horizonte (91,7 e www.geraesfm.com.br)
Estréia dia 15 de julho.
Informações pelo email: altofalante@redeminas.mg.gov.br

16.6.05

NEM TÃO RÁPIDAS E NEM TÃO RASTEIRAS ASSIM

Em tempos de reunião do Cream (cujos shows já podem ser encontrados por aí pela rede, com uma qualidade de bootleg, ou seja, som audível mas nada profissional. Mas são de ouvir ajoelhado, agradecendo ao bom Deus), a pedida da semana é a banda The Black Keys. Trata-se de 2 branquelos americanos de Ohio que fazem um blues de primeira, seguindo a tradição de Johnny Winter, Stevie Ray Vaughan e similares, com ecos oriundos do próprio Cream. Gravaram três discos, em 2002 (The Big Come Up), em 2003 (Thickfreakness) e em 2004 (Rubebr Factory), mas se tivessem gravado em 1974, 1975 e 1976 eu não acharia estranho.

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E o White Stripes veio e arrasou. E o disco, "Get Behind Me Satan" é fácil um dos melhores do ano, exatamente porque é corajoso. Abdicaram das guitarras e incluíram pianos e percussões em suas músicas. Jack White continua sendo o cara.

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Já o novo Billy Corgan, TheFutureEmbrace" decepcionou. Ô disquinho chato. Ao contrário dos novos Hellacopters, "Rock And Roll is Dead" (sugestivo, não?) e Foo Fighters, "In Your Honor". Aliás, sobre esse último uma curiosidade: no segundo disco, dito acústico, a banda toca uma faixa que poderia tranquilamente ser chamada de......bossa nova. Ouçam "Virginia Moon" e me digam se estou ficando louco. Será a nova onda? depois da junção de rock com electro, as bandas vão fazer a junção rock, bossa nova e drum n bass? Emails para esta coluna.

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"Cantneverdidnothing" é o nome do disco e Nikka Costa a cantora. Sim, é aquela mesma que surgiu na década de 80 cantando "On My Own" com uma vozinha de criança. Bem, ela era criança e sua voz taquara rachada sumiu com os tempos. Gravou em 2001 o disco "Everybody Got Their Something" e foi elogiada por dar a volta por cima na carreira, depois de adulta. Agora, aos 33 anos, lança este disco. Um petardo pop, construído sob as influências certas (Prince, Lenny Kravitz e similares). E de quebra, a bela capa com uma bela foto da bela Nikka. Essa é pra casar.

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E o velho Lobo não decepcionou. "Canções Dentro da Noite Escura" é mesmo um discaço de Lobão. Assim como "Toda Cura Para Todo Mal" é um Pato Fu maduro, com canções fortes e o experimentalismo pop de sempre. Agora sim podemos dizer que temos dois bons discos lançados este ano no Brasil

11.5.05

SÉRIES

da série "Eu tenho. Você não tem.":
Terminei esta semana de baixar um torrent com simplesmente tudo que Van Morrison gravou de 1968 a 1983. Melhor que isso, só o paraíso. Aliás, já falei para vocês que meu disco "ilha deserta" é "Astral Weeks", né?

da série "A que ponto chegamos":
Outro download da semana foi o primeiro show da turnê nova do U2, em San Diego, no final de março. Em DVD! Veja bem, há algum tempo o máximo era baixar mp3s de shows. Isso já é passado. O negócio agora é baixar o show na íntegra em dvd. Este foi gravado com uma câmera apenas e, considerando a posição dela, até que ficou bom. O audio, considerando que é ambiente, está bem bom. E o show é um arraso!

da série "Melhores do ano"
Fácil fácil Mr. Trent Reznor vai entrar para esta lista com seu "With Teeth". À parte o fato de ser o disco mais rocker do Nine Inch Nails, tem a sequência de canções mais poderosa deste ano. A abertura "All The Love In The World", a catártica "You Know What You Are?" e a pesada "The Collector". Se bem que chamar uma música do NIN de pesada é chover no molhado.

da série "Ouvi e não achei graça"
The Futureheads.

da série "Covers que interessam"
Já ouviram Jeff Buckley tocando "The Way Young Lovers Do" do Van Morrison? (olha ele aí de novo). É de chorar de bom.

da série "Eletrônicos que interessam"
Out Hud e M83. Pode ir sem medo. O primeiro para arrasar nas pistas de dança. O segundo mais ambient.

28.4.05

Vamos combinar: Weezer é foda. Eles não precisam mudar de estilo, fazer coisas diferentes e tentar inventar. Fazendo o mesmo som que fazem há um bom tempo, se dão muito bem. "Make Believe", o novo álbum, é mais do mesmo e é bom pra caralho. Me esperem lá na primeira fileira do Curitiba Pop Festival, quando setembro chegar.

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M.I.A. é uma cantora do Sri Lanka. Diplo é um dj americano vidrado em funk carioca. Dá pra imaginar no que deu a junção dos dois? O estupendo "Piracy Funds Terrorism" em que ele pega faixas do disco de estréia dela (o também fodaço "Arular") e ferve o caldeirão. Quer fazer sucesso como dj nas pistas nos dias atuais? É só colocar "Galang" ou "Bucky Done Gone" e quebrar o esqueleto das pessoas.

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Velhos e em forma. Eric Clapton lançou o CD/DVD "Sessions for Robert J". Um dos DVDs é acústico, como as originais do mestre Robert Johnson, o outro é com uma banda "daquelas". Os dois juntos são imperdíveis. Outro que lançou um ótimo disco foi Bruce Springsteen. Na linha de trabalhos como "Nebraska" e "The Ghost of Tom Joad", the Boss manda ver na acoustic guitar em "Devils and Dust".

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E "Blue Orchid", a nova música do White Stripes, hein?

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Rolling Stones em janeiro de graça, na Praia de Copacabana. É verdade sim, você não está sonhando. Vá desde já guardando disposição. Promete ser o evento do milênio.

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Da série "Eu adoro os irmãos Gallagher": vocês leram isso aqui? Sobrou pra todo mundo.

8.4.05



EXTRAORDINARY MACHINE – Fiona Apple

Só de ter sido rejeitado pela Sony Music, “Extraordinary Machine”, o novo (e já velho) trabalho de Fiona Apple, pronto desde março de 2003, já sobe alguns pontos no meu conceito. Por se tratar de um belo álbum, sobe mais alguns pontos. E por ter sido pirateado pelos fãs na internet, sobre muitos e muitos pontos no meu conceito, assim como aconteceu com o Wilco há alguns anos.

A história é a mesma de sempre: a artista recebe o dinheiro para produzir seu terceiro trabalho solo, o faz e, quando o apresenta à gravadora com a qual tem um contrato, é recusado sob a infame desculpa : “não possui um hit single”. E voilá, lá está Fiona Apple, uma das mais criativas, ferozes e completas cantoras/compositoras dos últimos tempos, jogada às traças. Em outras eras, isto seria o fim. A gravadora mandaria a artista refazer o álbum ou simplesmente começar do zero, clamando por um single para tocar nas rádios (eu poderia fazer muitos parênteses aqui, dizendo que a era dos “men-in-suits-deciding-what-is-best-for-us” acabou ou que as rádios hoje já não importam tanto quanto nas décadas passadas, mas vou deixar isso pra outra hora). Felizmente, vivemos na era onde tudo é pirateado, jogado na internet semanas antes de seus lançamentos oficiais e, em alguns casos como o de Fiona Apple, antes de qualquer previsão de lançamento. Se é que ela vai existir.

Ouvindo “Extraordinary Machine” dá até pra imaginar o porquê do desespero dos executivos da Sony. Realmente o álbum não possui um hit single. Talvez “Please Please Please” seja a que mais se aproxima deste conceito – seja lá o que isso signifique hoje. O que importa é que o álbum é um belo desfile de canções na qual a verve poética feroz de Fiona encontra respaldo num instrumental que poderia facilmente ser definido como “art pop”, se esse termo não significasse tantas coisas nos dias de hoje. Da faixa de abertura, “Not About Love” ao encerramento, o que vemos (e ouvimos) é uma artista preocupada em expandir os limites das canções, enchendo-as de instrumentações, dedilhados criativos ao piano e uma emoção imprimida em sua voz digna das grandes cantoras de blues. As comparações com Tori Amos ou mesmo Beth Gibbons não são em vão. Todas elas souberam criar estilos e seguir adiante com eles. Fiona Apple não só criou seu estilo como fez com que ele fosse imitado, pasteurizado e ridizularizado na música de hoje. Perto dela, nomes como Alanis Morrissete ou a angry-kid Avril Lavigne soam como piadas.

Assim como seus dois predecessores ( “Tidal” e “When The Pawn...”), “Extraordinary Machine” não é um disco fácil, mas se mostra maduro na medida em que cresce a cada audição e conquista os ouvidos. Ponto para uma artista que não teve medo de arriscar, apesar de saber que poderia não agradar (segundo ela mesma disse, numa recente entrevista). Se este trabalho vai ser um dia disponibilizado nas lojas para consumidores que ainda não se acostumaram com a nova ordem da música no mundo, é um mistério. Para aqueles que já transitam neste meio há algum tempo, mãos à obra. Vale a pena reservar algum espaço em seu HD para ele.

28.3.05

SMALLBITS OF NOTHING

"9 Songs". Vi recentemente este filme e até agora não entendi nada. Sabe aquela máxima "sexo, drogas e rock and roll"? O filme é isso. E só! Muito sexo explícito parecendo filme pornô, algum consumo de drogas e rock and roll de primeira qualidade, com cenas de shows de Black Rebel Motorcycle Club, Franz Ferdinand, Primal Scream, Von Bondies e outros intercaladas à putaria. Sem uma trama para amarrar. Ou talvez tenha, sei lá, se é que pode se chamar aquilo de trama.

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Novos de Garbage (Bleed Like Me), Stereophonics (Language Sex Violence Other), Beck (Guero), Moby (Hotel) e Kaiser Chiefs (Employment) no meu mp3 player. Stereophonics sempre fez bons discos e este não foge à regra. Garbage parece meio chocho, mas preciso ouvir mais algumas vezes. Moby mudou muito seu estilo. Precisamos de tempo para saber se a mudança foi positiva. Beck continua muito bom. Este novo trabalho lembra o clássico "Odelay". Kaiser Chiefs é uma grata surpresa. Boa banda com um bom disco.

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Aliás, cada vez mais os discos não me impressionam à primeira vista. Assim como preciso ouvir mais o Garbage, só gostei dos novos New Order e Queens of The Stone Age depois de algumas audições.

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Boa surpresa mesmo nestes dias é a banda Hella. Favor não confundir com os Hellacopters. Trata-se de uma dupla (formação bastante em voga nos últimos tempos. Depois de White Stripes e, mais recente, o Death From Above 1979) californiana que começou a tocar junta em 2001. Já têm 4 trabalhos no currículo e este ano lançaram o duplo "Church Gone Wild/Chrpin Hard", que está sendo considerado uma espécie de "Speakerboxx/Love Below" dos sons pesados. O som é uma zoeira infernal, misturando elementos de metal com indie rock experimental e elementos eletrônicos. Ficou difícil? Vale a pena procurar.

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Placebo no Brasil. Pra quem não entendeu porque eles vão fazer 8 datas e nenhuma delas é em Belo Horizonte, eu explico. A vinda da banda está sendo bancada pela Claro. Portanto, como em BH não tem Claro...

Ah sim, não irei. Placebo nunca fui de minhas bandas prediletas. Na verdade, existem duas no universo indie que todos amam e eu não vejo a menor graça: Placebo e Suede. Eduardo Palandi que não me ouça.

4.3.05



I AM TRYING TO BREAK YOUR HEART - a film about Wilco by Sam Jones

“A minha liberdade termina onde a sua começa”. Pode não ter sido consciente, mas “I Am Trying To Break Your Heart” - o documentário que retrata o ano mais difícil da carreira da banda norte americana Wilco – acaba tendo esta máxima como base, já que em sua hora e meia de duração, o que vemos é uma série de encontros e desencontros permeados pela liberdade de uns em conflito com a de outros.

O ponto de partida para o filme são as gravações daquele que é considerado o melhor álbum da banda, “Yankee Hotel Foxtrot”, em 2001. Nele, a verve poética do “trovador” Jeff Tweedy se choca defintivamente com a musicalidade sem limites do multi-instrumentista Jay Bennett para mudar de maneira definitiva a carreira dos dois, os rumos da banda e, porque não, da indústria musical.

A história deste álbum todos já sabem, mas não custa relembrá-la. Gozando de uma liberdade ímpar na indústria musical, o Wilco se trancou em seu loft na cidade de Chicago para parir aquele que parecia ser sua obra-prima. Pelo menos é o que imaginavam os músicos, empresários e executivos do selo Warner/Reprise, que financiaram o disco. Acontece que no dia seguinte ao da entrega do trabalho à gravadora, a banda foi dispensada do cast da Reprise por se recusar a fazer mudanças no álbum (nem no documentário, se explicita quais seriam estas “mudanças”). Com as matrizes do álbum embaixo de seus braços e acreditando em seu trabalho como nunca, a banda assinou meses depois com a Nonesuch. Ironicamente, uma também subsidiária da Warner. Neste meio tempo, partiram para uma pequena turnê nos Estados Unidos com uma modificação: Jay Bennett já não estava na banda.

Desde as gravações do disco, Bennett e Tweedy já não estavam se entendendo muito bem. A coisa chegou a um ponto onde Tweedy chamou Bennett para uma conversa, dizendo que “achava que não poderia mais fazer música com ele”. Bennett juntou suas trouxas e partiu deixando um buraco e tanto no som da banda. Há os que digam que Bennett era a verdadeira alma musical do Wilco e o álbum que sucedeu Yankee Hotel Foxtrot, “A Ghost Is Born” mostra isso nitidamente. A verdade é que a saída de Bennett, apesar de parecer tranqüila no filme, não foi bem assim, como dá pra perceber nas entrelinhas do filme.

“I Am Trying To Break Your Heart” lida com todos estes traumas de uma maneira crua e verdadeira, além de arrumar tempo para mostrar os problemas de Tweedy com analgésicos (em uma cena, ele aparece vomitando num banheiro), que o levou a se internar no ano passado para uma desintoxicação; além de fazer uma oportuna discussão sobre o papel da indústria fonográfica. Para isso, as opiniões dos artistas, do empresário, do executivo das duas gravadoras (Reprise e Nonesuch) e até de um dos editores da Rolling Stone, David Fricke. O resultado é uma reflexão sobre para onde esta indústria está caminhando e porque uma obra-prima – como diria meses mais tarde a própria Rolling Stone, apesar de David Fricke dizer no filme que se fosse executivo de uma gravadora, rejeitaria o álbum – como “Yankee Hotel Foxtrot” teve este destino.

“I Am Trying To Break Your Heart” ainda traz algumas performances ao vivo do Wilco, que mostram porque é uma das bandas mais respeitadas e cultuadas do chamado cenário alternativo americano. E nos dá uma aula de como ser fiel a um princípio, ainda que este possa ferir as opiniões e liberdades de outros. Indispensável para fãs de música pop e curiosos em geral.

10.2.05



LIVE AID

Talvez seja difícil explicar para as novas gerações o que foi o Live Aid. Assim como muitos guardiões de gerações passadas encontram dificuldades para explicar o que foram Woodstock, o Concerto Para Bangladesh e tantos outros que hoje fazem parte das mentes e corações dos que os vivenciaram, além de estarem para sempre registrados nos livros de história, CDs, DVDs e qualquer mídia que vier a ser criada para que futuras gerações possam ter contato.

O difícil neste caso é ir além dos livros, CDs e DVDs. Para situar, estamos na década de 80 e o problema que mais aflige a humanidade é com certeza a fome e a pobreza dos países africanos. Até aí tudo bem. Hoje, a fome continua assolando os países africanos e se estendeu por muitos outros asiáticos e até da América do Sul. Entidades assistenciais se esforçam a cada minuto que passa para diminuir este mal que assola o mundo, através de iniciativas mil. A grande diferença naquele ano de 1984 foi que um cidadão inglês chamado Bob Geldof – mais conhecido na época por fazer parte de uma banda meio obscura no resto do mundo, o Boomtown Rats – assistiu a uma das muitas matérias produzidas pela BBC sobre o assunto e, sensibilizado, resolveu fazer algo. E como ele conhecia as pessoas certas, este algo ficou muito maior do que ele poderia imaginar.

Em primeiro lugar, ele reuniu alguns de seus amigos do meio musical para, numa noite histórica de novembro de 1984, gravarem uma canção cuja renda seria revertida para o combate à fome no mundo. “Do They Know It’s Christmas” reuniu alguns dos maiores nomes da música inglesa na época (a saber: Bono, Sting, Phil Collins, Paul Young, Simon LeBon e tantos outros) e causou um impacto tamanho no mundo, que os americanos resolveram "imitar" a idéia. Em janeiro de 1985 era lançado o USA For África, que nada mais era do que uma reunião de artistas norte-americanos com o mesmo intuito. A canção gravada, “We Are The World” é hoje sinônimo de chacota e considerada uma das canções mais melosas e bregas do cancioneiro popular, mas em 1985 ninguém pensava assim. O impacto foi muito maior.

Para Bob Geldof isso não era suficiente, e depois do sucesso em disco, faltava o show. Veio daí a idéia do Live Aid – um concerto que reunisse os maiores artistas do mundo em duas cidades (Londres e Philadelphia) simultaneamente, com renda dirigida para a causa. Era ambicioso, principalmente por conta da logística. O show na Inglaterra começaria cinco horas mais cedo (graças ao fuso horário), mas quando se “encontrassem”, seriam unidos em um só concerto, via satélite para o mundo e para os dois estádios. Daí, quando um artista estivesse se apresentando em Londres, o público da Philadelphia assistiria pelo telão, assim como o resto do mundo, e vice-versa.

A iniciativa deu certo, ABC, BBC e MTV compraram a história, tudo funcionou às mil maravilhas e o Live Aid aconteceu. A idéia era que o concerto durasse apenas durante aquelas horas. Não iria ser lançado nenhum álbum ao vivo, vídeo ou qualquer outro tipo de registro além do que ficasse nas memórias das pessoas. Mas graças aos deuses do rock, 20 anos depois, não só temos aqui o registro definitivo do evento, como é de tirar o fôlego.

Os 4 DVDs desta caixa não só mostram em todos os números o que foi o evento, como são o registro definitivo da música pop da década de 80. Praticamente todos os artistas que foram “alguém” naquela década estão ali. Por motivos óbvios, não foi possível colocar o evento na íntegra, já que cada um dos dois shows teve 12 horas de duração. Esta caixa é um “compacto”, mas nele estão incluídas todas as grandes performances que fizeram história e até mudaram o rumo da música pop.

Talvez a única ausência sentida seja a do Led Zeppelin, que se reuniu especialmente para o evento, contando com Phil Collins na bateria. Dizem as más línguas que eles não autorizaram a inclusão por não gostarem do resultado final. No mais, tudo está lá. A incendiária performance do U2 (com direito a dança com alguém da multidão - coisa que se tornaria frequente nos shows da banda dali em diante), que os apresentou para o mundo, o Queen mostrando porque reinava absoluto nos palcos mundiais naquela época, David Bowie tendo como apoio Thomas Dolby e sua banda, Sting arrancando para sua carreira solo, Phil Collins se tornando o primeiro ser humano a se apresentar num palco no mesmo dia em dois continentes diferentes (depois de seu show em Wembley, ele pegou o Concorde e voou para a Philadelphia), Dire Straits – que naquela época era sim uma banda legal – dominando o palco como poucos, Paul Young (quem?), Duran Duran, Pretenders, Beach Boys, Bob Dylan (visivelmente sem jeito e constrangido, ao lado de Keith Richards e Ron Wood), Elton John, George Michael, Paul McCartney, as revividas The Who e Black Sabbath (com um Ozzy beeeeem mais gordo do que seis meses antes no Rock In Rio), Judas Priest, Neil Young, Eric Clapton, Madonna (que ainda não tinha o domínio de palco que a faria gigante anos depois, mas já demonstrava segurança) e o dueto Mick Jagger/Tina Turner, que marcou época.

O som e a imagem – fundamentais para qualquer dvd – não são perfeitos. Talvez por culpa das câmeras da época, ou ainda por o evento não ter sido pensado para um possível registro futuro gravado, em muitos trechos o som é mal equalizado e as imagens ruins. Mas sinceramente, neste caso não importa. A importância histórica desta caixa é muito maior do que as imperfeições que fazem parte dela. A década está tão bem representada, seja na música, nas performances, nas roupas e cabelos (Um capítulo à parte. O troféu “cabelo mullets da década” vai para o Spandau Ballet, sem dúvida alguma.), nas atitudes e até nos artistas que tiveram lá seus 15 minutos de fama (por onde andam Nik Kershaw, Howard Jones, Kenny Loggins, REO Speedwagon e Thompson Twins????), que todo o resto se torna desinteressante.

Ainda assim, é difícil descrever o que representou o Live Aid para a década de 80. Não havia ali o acesso a MP3s, vídeos e tudo o mais de seu artista predileto. Portanto um evento desta grandeza era uma oportunidade ímpar para este contato. Além disso, se hoje as causas humanitárias fazem parte do dia-a-dia de muitas bandas que fazem o bem, é porque um dia um cidadão chamado Bob Geldof resolveu fazer a parte dele.

E, como se isso tudo não fosse suficiente, o dia 13 de julho passou a guardar uma polêmica: muitos dizem que esta data é hoje o Dia Mundial do Rock por coincidir com o dia de lançamento do primeiro disco de Elvis Presley, mas se minha memória não me engana, foi depois do Live Aid que esta data foi alçada a tal condição. Mais do que justo.

31.1.05

Que o mês de janeiro é fraco em lançamentos, todo mundo sabe. O que ninguém esperava é que 2005 fosse começar tão ruim. Pelo menos na modesta opinião deste que vos fala, nada que ouvi até agora mereceu uma resenha. Talvez, a cada dia que passe, eu esteja mais e mais com certeza de que a música pop morreu, e apenas alguns lampejos de criatividade aparecem de vez em quando para nos lembrar que ela pode renascer. Espero que o novo Beck me desminta.

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Senão vejamos. O que merece destaque neste início de ano? The Arcade Fire? Ok, fizeram um bom disco ("Funeral"), mas nada transgressor, inovador, instigante. O novo Mars Volta? Mesma coisa, apesar de ganharem alguns pontos a cada audição. Bright Eyes? Boa banda e disco ("Digital Ash In a Digital Urn"), mas ainda cai no mesmo buraco negro de Interpol, Tv On The Radio e Bloc Party.

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Talvez o grande lançamento seja um não-lançamento. Ou um comeback. Li em algum lugar que o Gang of Four se reuniu para alguns shows e vai inclusive tocar no Coachella 2005. Agora sim, temos um motivo para nos alegrar. O GOF é simplesmente a banda que influenciou todas estas aí de cima. Está duvidando? Ouça os clássicos "Entertainment", "Solid Gold" e até os cantos-de-cisnes "Mall" e "Shinkwrapped" lançados já sem a formação original por trás (Jon King, Andy Gill, Dave Allen e Hugo Burnham). Pode parecer nostalgia de minha parte, mas a audição ininterrupta destes quatro álbums ultimamente me fizeram ver mais uma vez como a música pop dos anos 2000 está chata.

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E já que o assunto é nostalgia, que tal ouvir um pouco de Traffic e reverenciar o recém-falecido Jim Capaldi? Tá bom, o cara gravou "Anna Júlia" em inglês. Mas a gente perdoa ele por isso. Afinal, ele era chapa de George Harrison e o baterista da banda em "Low Spark Of High Heeled Boys".

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Quer saber? Música bacana mesmo é "The Blower's Daughter", que abre e fecha "Closer - Perto Demais", a nova obra prima de Mike Nichols em cartaz nos melhores cinemas da sua cidade.

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E vem aí a primeira turnê brasileira de Lenny Kravitz. Uau, mal posso esperar. Me avisem os dias, viu? Quero estar bem longe.

13.1.05

COISAS OUVIDAS POR AQUI ENTRE O FINAL DE 2004 E O INÍCIO DE 2005, MAS AINDA NÃO DIGERIDAS.

DANNY THE DOG - Massive Attack
Anunciado como uma trilha sonora para um filme, pode ser considerado também o novo disco do MA. Mas não chega aos pés de qualquer um dos trabalhos anteriores deles.

THUNDER LIGHTING STRIKE - The Go Team
O som da Stax/Volt da década de 70 se encontra com o post-rock, o jazz e a eletrônica. Muito interessante.

WOLFMOTHER - Wolfmother
Black Sabbath e adjacências.

FRANCES THE MUTE - Mars Volta
O novo trabalho dos insanos, que dividiram opiniões no último Tim Festival. Desnecessário dizer que é insano. Mas também, o que dizer de um disco que tem apenas 5 músicas, sendo que uma tem a duração de 31 minutos? Um EP? Progressivo? Hard Rock? Apenas indefinido e sublime.

REJOICING THE HANDS e NINO ROJO - Devendra Banhart
Os dois discos de Devendra Banhart frequentaram as listas dos melhores de 2004 de quase todas as publicações européias e algumas americanas. Não é nada de mais. Na linha de Nick Drake, Elliot Smith e outros. E a voz dele me incomoda um pouco.

HOUSES OF THE MOLÉ - Ministry
A volta deles à boa forma, de "Psalm 69" e "The Mind is a terrible thing to taste".

10.1.05

O primeiro post de 2005 é para anunciar que este blog está passando por reformas. Dentro em breve, voltaremos com nossa programação normal.

19.12.04

MELHORES DE 2004

Duvido que vá ouvir algum outro disco que me surpreenda este ano. Portanto, vamos aos melhores do ano. Sem ordem de preferëncia:

You Are The Quarry – Morrissey
The Dresden Dolls
A Ghost Is Born – Wilco
How To Dismantle An Atomic Bomb – U2
Smile – Brian Wilson
Around The Sun – R.E.M.
Medulla – Bjork
The Cure
Desperate Youth, Bloody Thirsty Babes – TV On The Radio
Now Here Is Nowhere – The Secret Machines
Astronaut – Duran Duran
Everybody Loves a Happy Ending – Tears For Fears
Give Up – The Postal Service
Lifeblood – Manic Street Preachers
A Grant Don’t Come For Free – The Streets
Hot Fuss – The Killers
Trampin – Patti Smith
The Sense of Movement - Valv

Algo a acrescentar :

26.11.04



WITH THE LIGHTS OUT - Nirvana

Estou ouvindo.

Mas sei lá...será que os die-hard fãs da banda ainda aguentam ouvir a enésima versão para "Polly" ou uma outra que parece ter sido gravada em um gravadorzinho no porão de Cobain para "rape Me" ?

Sou fã da banda e digo que não tenho paciência para isto. É só curiosidade e pronto. Não vou ouvi-la mais. Prefiro ouvir as originais.

24.11.04



HOW TO DISMANTLE NA ATOMIC BOMB – U2

Massacrados. Isto é o mínimo que se pode dizer das reações da crítica mundial acerca do novo trabalho do U2, “How To Dismantle na Atomic Bomb”. De fato, nem toda a crí-crítica destruiu o álbum, mas apenas aqueles que esperavam um novo “Boy” ou um novo “Achtung Baby”. Ou ainda, quem sabe, que a banda mirasse suas antenas no chamado novo rock e despejasse um álbum com ecos de “gênios” como Libertines ou Rapture.

Muitos disseram que a banda está apenas despejando mais algumas canções sem criatividade – repetições do que eles mesmos já fizeram no álbum anterior, “All That You Can’t Leave Behind” – ao contrário de trilharem o brilhante caminho do flerte com a eletrônica, como em “Pop” ou “Zooropa”.

A grande maioria dos cri-críticos torceu o nariz para a quantidade de baladas existentes neste álbum. Por que o U2 prefere fazer uma “Sometimes You Can’t Make It On Your Own” – em homenagem ao pai de Bono, morto recentemente – do que aprofundar os conceitos presentes em faixas como “Discotheque” ou “Zooropa” ? Por que cargas d’água eles preferem fazer uma falsa volta às origens, como em “Vertigo” a repetirem o brilhante “Achtung Baby”, que daria muito mais prestígio à banda ?

Se eu fosse Bono, The Edge, Larry Mullen e Adam Clayton, me preocuparia em agradar aos críticos ao invés de compor belas melodias, como “City of Blinding Lights” e “Original of The Species”. Para que isso ? Para agradar aos fãs ? Ah, que nada. O negócio mesmo é colocar ritmos eletrônicos, ser remixado por algum dj alemão oriental e fazer uma turnê em pequenos clubes, com capacidades para 200 pessoas, no máximo.

Finalmente, ouvindo “How To Dismantle An Atomic Bomb” e lendo as cri-críticas despejadas na imprensa mundial, começo a achar que realmente estamos vivendo uma era sem parâmetros. Quando a referência para o rock mundial é o Libertines ( Desculpem cita-los de novo, mas é que eu simplesmente acho o hype em torno deles muito, mas muito mesmo, triste. Exatamente por serem uma banda tão chinfrim. ), eu prefiro desistir e ouvir jazz. E discos novos e antigos do U2 – esta sim, uma banda que sempre tem algo a dizer, ainda que seu último álbum não seja o melhor de sua carreira. Que eles envelheçam dignos e jovens como nesta atual fase.

11.11.04

TIM FESTIVAL 2004
Jockey Clube de São Paulo
Dia 6 e 7 de novembro de 2004


Passados alguns dias do Tim Festival 2004, ainda estou com um gostinho de quero mais, ou de “foi bom pra caralho” na boca. Sem dúvida alguma, foi a melhor edição do festival ( considerando que o Tim é uma espécie de evolução do Free Jazz ) que já fui. Claro que em anos anteriores aconteceram alguns shows inesquecíveis, mas num geral a qualidade das atrações desta edição superou as expectativas. Com apenas uma exceção, mas tudo bem.

Dia 6.

Atrasado, graças ao trânsito de São Paulo e à dificuldade em estacionar o carro no Jockey, entrei já no meio do show do Picassos Falsos, no Tim Stage. A impressão que dava era que o público estava usando aquele show para se situar, encontrar os amigos e fazer o chamado “social indie”. Ninguém prestava atenção à banda, que parecia ter sido colocada ali para cumprir mesmo esta função, apesar de terem feito um ótimo show – ainda que musicalmente deslocados, abrindo para PJ Harvey e Primal Scream. Mais particularmente, gostei do novo arranjo para o “clássico” da banda, “Quadrinhos” ( “Que guitarrista não quis tocar o riff desta música na década de 80 ?” foi o comentário ), mas foi só. Talvez em um outro lugar, num outro momento.

PJ Harvey entrou trajando um vestido vermelho que fazia uma espécie de propaganda de seu mais recente álbum, “Uh Huh Her”. Impressionante é constatar que a feiúra e o sex appeal ( ainda se diz “sex appeal” ? ) podem tranquilamente conviver juntos em uma mesma pessoa. No palco, Polly Jean esbanja isso tudo, além de um vigor impressionante, uma presença de palco sublime e uma potência na voz para deixar muito vocalista por aí de queixos caídos. Some-se a isto a competência da banda que a acompanha e voilá. Está aí a receita de um show perfeito. Privilegiando os álbuns mais recentes, mas sem se esquecer das canções de seus dois primeiros e fundamentais trabalhos ( “Dry” e “Rid of me” ), a pequena Polly Jean arrasou Paris em chamas. Fez um show avassalador, com direito a coro da multidão em “Down By The Water”. Ao final do show, o comentário era “Bobby Gillespie vai ter que suar muito a camisa para dar conta do recado”.

Nunca fui um fã ardoroso do Primal Scream, mas sempre respeitei o trabalho da banda, em todas as suas fases. Particularmente, prefiro a atual, mais eletrônica, mas também dou lá meus pulinhos por “Rocks” e “Movin’ On Up”. Pois quando Bobby Gillespie e sua turma entraram no palco, percebi que ia ser histórico. Primeiro, porque nada mais nada menos que três guitarristas despejavam acordes distorcidos em nossos ouvidos. Segundo, porque um deles era ninguém menos que Kevin Shields, do seminal My Bloody Valentine. E terceiro porque a banda havia decidido tocar num volume ensurdecedor. PJ Harvey já havia tocado bem alto, mas os primeiros acordes do Primal Scream fizeram com que nossos ouvidos sintonizassem uma outra freqüência, bem mais alta, de guitarras ao vento. E o que aconteceu na próxima hora e meia foi uma das melhores apresentações ao vivo que vi na minha curta, porém rocker, existência. Alternando momentos “guitarra suja” com outros eletrônicos, Bobby Gillespie não só deu conta do recado como superou em muito a performance que o precedeu. Três momentos ficarão guardados na memória para sempre : a multidão entoando, pulando e gritando “Rocks” a plenos pulmões; a arrasadora “Swastika Eyes” e o encerramento com “Movin’ On Up”. Depois disto, só mesmo indo para casa e tentar imaginar quem poderia superar esta performance no dia seguinte.

Dia 7

Desde o início encarei “Uma Noite com Brian Wilson” como uma experiência sociológica, ou uma oportunidade única de ver ali na minha frente o cara que compôs uma das Top 10 canções de todos os tempos, “God Only Knows”. Mas mesmo com tudo isso, fiquei com um pé atrás dado ao estado clínico da figura. Muito se diz de Brian Wilson, mas muito pouco é comprovado. Dizem que ele ouve vozes, que é esquizofrênico, que tem medo de tudo e de todos, que pirou, etc.

Por isso, ao entrar no Tim Stage no domingo, tive uma sensação de que estava diante de uma oportunidade única de comprovar por mim mesmo isso tudo. E lá veio ele. Atrás dele, uma banda de mais ou menos umas 12 pessoas, extremamente competente, que reproduzia os clássicos dos Beach Boys com perfeição, além de algumas belas canções de sua carreira solo. Wilson ficava ali na frente, fingindo tocar ora um teclado, ora um baixo, lendo as letras num teleprompter e atuando mais como um maestro do que um performer. E os hits foram se sucedendo. Aos primeiros acordes de “Sloop John B”, a primeira canção, a platéia já estava ganha. E quando ele introduziu “Wouldn’t It Be Nice”, me conquistou, deixando meus olhos mareados. Mas na seqüência, ele seria muito covarde com meu coração. Anunciando como “a canção preferida de Paul McCartney”, ele nos presenteou com uma belíssima versão de “God Only Knows”. Ali, Wilson me conquistou de vez e me fez chorar copiosamente. Dali em diante, o sorriso permaneceu na cara até o bis matador, com “Bárbara Ann”, “I get Around” e tantas outras. Ah sim, como esquecer de “Good Vibrations” e as músicas de “Smile”, que foram enxertadas durante o set, apesar de a organização do evento ter anunciado que ele iria ser executado na íntegra ? Ainda bem que não foi. Seria demais para meu pobre coraçãozinho.

Depois de Brian Wilson, o que esperar ? Lá fui eu para o Tim Lab sem saber a resposta para isto e com a certeza de que já havia visto o que interessava. O primeiro show da noite no Lab cumpriu o mesmo papel dos Picassos Falsos na noite anterior no Stage. Rodrigo Guedes e seu Grenade bem que tentaram, mas o público estava ali para ver Libertines e não tinha jeito mesmo. Foram competentes e até arrancaram aplausos de muitos, mas a noite era mesmo da banda seguinte.

Ou quase. Os Libertines entraram no palco com um atraso regulamentar, em virtude da transmissão ao vivo pela Rede Globo. O que só aumentou a minha impaciência com eles. E olha que eu dei muita chance a esta banda. Tenho os dois discos, já ouvi inúmeras vezes, acompanho todo o hype, mas não teve jeito. Assim como acho os dois discos bem meia-boca, a banda não conseguiu me convencer em nenhum momento em cima de um palco. Dizem que de cada cinco shows, eles fazem um bom e quatro ruins. Não acredito. Acho que os cinco devem ser ruins. Só sei que Carl Barat e sua turma me fizeram sentar no fundo do Tim Lab, enquanto a multidão que acompanha qualquer hype cuspido pela imprensa musical indie se espremia lá na frente. Grande parte do público era formado por mulheres, que acham o cara lindo (como me foi confessado por uma delas). A esta altura do campeonato eu nem estava mais prestando atenção e contando os minutos para que o show – interminável – acabasse.

E assim que ele acabou, a multidão deu no pé. Muitos foram badalar do lado de fora. Outros tantos rumaram para o show do Pet Shop Boys. Eu e mais a turma do metal ficamos para conferir a performance do Mars Volta – a mais aguardada por mim naquela noite. E eles não decepcionaram. Não dá pra definir muito em palavras o que foi aquilo. Talvez os adjetivos “visceral”, “insano” e “esporrento” definam melhor o que foi o curto set de 50 minutos. Olhar para o lado e dar de cara com bocas abertas era comum. Mais comum ainda era ouvir termos como “ca-ra-lho !” ou “pu-ta-que-pa-riu !” Ao final, ficou a sensação de que um trator havia passado por todos nós e nos deixado catatônicos. Impecável. Um daqueles shows que muda a vida de muita gente. A mistura de Led Zeppelin, King Crimson, Jimi Hendrix e punk rock do Mars Volta em cima de um palco fez com que muitos comparassem aquele show ao famoso show dos Sex Pistols em Manchester, em 1976, que foi assistido por pouco mais de 40 pessoas, mas todas montaram bandas.

No final das contas, fica o parabéns para a Dueto – organizadora do Festival – que conseguiu superar em qualidade a edição anterior, além de todas as que assisti do Free Jazz. Para 2005, o Festival promete voltar ao seu formato inicial – acontecendo no Rio e em São Paulo simultaneamente. Mas, parafraseando o que foi dito ao final do show de PJ Harvey, “a Dueto vai ter que suar muito a camisa para superar a edição deste ano”.

22.10.04



THE DRESDEN DOLLS

Vira e mexe, alguém da imprensa cultural mundial proclama que o rock and roll está morto. Quando não é um jornalista, é um músico que, chateado pela mesmice do gênero em que milita, decreta que a era das guitarras acabou, conseguindo chamar a atenção. Geralmente as respostas vêm em forma de movimentos ou de novos artistas que recuperam a força das guitarras sujas, revitalizando um gênero que, não muitas vezes, já foi acusado de não saber se reinventar.

Mas o que isso tudo tem a ver com os Dresden Dolls - uma dupla norte-americana que tem em sua formação uma cantora que mais parece oriunda de um cabaré alemão da década de 20 e um baterista com formação múltipla ? A resposta é simples. Ao abdicar do som de guitarras, e ao mesmo tempo ser influenciada por artistas que primam pelo experimentalismo e pela criatividade se utilizando de uma guitarra ( como The Fall e PJ Harvey ) a dupla consegue criar algo novo – artigo em falta nos supermercados musicais dos nossos dias.

O disco de estréia dos Dresden Dolls, recém-lançado lá fora, é um pouco disso tudo. Energia punk misturada a melodias nitidamente inspiradas nos tais cabarés alemãos, além de um pouco da rebeldia contida de nomes como Tori Amos. As canções não seguem nenhuma fórmula estabelecida, a não ser a de que não existem limites para se tratar de temas difíceis, como a transsexualidade ( “Half Jack” ) e a dificuldade de se relacionar com uma mulher ( “Girl Anachronism” ). Amanda Palmer imprime veracidade, lirismo e força em sua voz, ao mesmo tempo em que esmurra delicadamente seu piano na tentativa de obter notas que aproximem o som da dupla da agressividade das bandas punk da década de 70. Brian Viglione pontua tudo em sua bateria, acompanhando as loucuras às vezes contidas de Amanda, e parecendo ora um baterista de jazz, ora de uma banda tecnopop dos anos 80 ( outra influência bastante presente no som dos Dresden Dolls ).

Formada em 2001 na cidade de Boston, a dupla consegue, neste trabalho, fazer um som atemporal, podendo estar situado em alguma das épocas já descritas por aqui ou ainda em algum lugar do futuro. Aliando passado, presente e futuro em seu som, os Dresden Dolls conseguem trilhar um caminho que muitos têm perseguido sem sucesso : o do ineditismo em uma era onde a música engatinha à procura de seu rumo. É a tal crise criativa que se abate pelas culturas nos inícios de séculos. Ainda bem que os Dresden Dolls não fazem parte de tempo algum.

8.10.04



AROUND THE SUN – R.E.M.

É uma tarefa bastante ingrata falar de um álbum de um de seus artistas prediletos predileta. Muitos dirão que é impossível deixar a passionalidade de lado. Outros tantos, eu incluído, dirão que nunca será possível falar de álbum algum sem que isso aconteça. Ainda mais quando o artista em questão é o R.E.M. – banda que, não raras as vezes, tratou o sentimento como coisa de gente grande.

“Around The Sun” é uma espécie de continuação musical de “Reveal” e “Up”, os dois últimos álbuns de inéditas de Michael Stipe, Mike Mills e Peter Buck. Já virou lugar comum dizer que desde a saída de Bill Berry, o R.E.M tem procurado ansiosamente seu caminho. Se “Up” é um álbum de transição e “Reveal” aponta para alguns caminhos, “Around The Sun” deveria ser a conclusão desta busca. Mas não é. E ainda assim, aponta para algum lugar.

Sim, as belas melodias, as letras inspiradas estão todas lá, mas ainda falta algo. Talvez não a jovialidade e força de trabalhos como “Document” e “Green”, mas a coesão e sensação de perfeição que permeava trabalhos como “Automatic For The People”. Canções como “Make It All Ok” e “The Outsiders” são belas, mas ainda falta algo. O tal pulo do gato que fez do R.E.M. a maior banda de rock do mundo e, num instante depois, responsável por que tantos corações rockers se derretessem ao som de “Everybody Hurts” ( talvez a mais linda balada já feita, à exceção de “God Only Knows”, dos Beach Boys ).

Stipe, Buck e Mills estão mais velhos, tranqüilos, em paz consigo mesmos, mas nem por isso relaxados. A construção das canções continua com a complexidade simples que sempre permeou seu trabalho. A politização das letras, marcante em alguns momentos de sua irrepreensível carreira, aqui chega em versão John Kerry, com a banda assumindo uma postura liberal a favor do candidato democrata à presidência americana, e dizendo isso em canções como “I Wanted to be wrong” e “The Worst Joke Ever”. Na verdade, o sentimento político está tão presente que é possível encontrar metáforas para isto em todas as letras de “Around The Sun”.

Não vai ser com este álbum que a banda vai deixar de ter uma carreira irrepreensível, mas o novo milênio ainda não mostrou suas caras para o R.E.M. Passionalidade e politização não são mais suficientes para dar o tal pulo do gato, mas ainda assim eles conseguem manter a linha. Tantos anos de estrada, por mais incrível que isso possa parecer, atrapalharam um pouco os rumos do trio. Ainda mais que, nesta era de pouca criatividade, todos parecem querer trilhar o mesmo caminho de sucesso deles. E é preciso estar bastante à frente de seu próprio tempo para fugir dele.

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